quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Novos ventos!

Olá a todos!

Começo a escrever hoje o blog  dos poemas de meu  alter ego, o personagem Menestrel Nove d'Ouros. Espero que vocês, leitores, gostem tanto dos poemas aqui quanto curtiram os contos de seu irmão mais velho, o blog  "Pirei no Conto", onde descobri muito sobre mim como artista e escritor, e tive uma troca de experiências com vocês muito, mas muito prazerosa! Sejam bem-vindos! A casa é de vocês! :)


O Personagem

O Menestrel surgiu naturalmente de minhas participações em saraus. Neles eu costumava narrar meus contos, o que me dava um prazer enorme.

Depois de meses de convivência com os poetas vieram repentinamente meus primeiros versos.

E  um belo dia chegou o Menestrel.

Primeiro pelas roupas. Tive um surto de camisa florida. Depois veio o chapéu.

Por fim, veio a maquiagem, típica de um arlequino. Testei em uma festa, e o sucesso foi imediato: todos se interessavam, e queriam ouvir um poema. Até conselho de amor pra desconhecidos dei nesse dia!

Quando voltei pra casa, vi uma caixa de baralho que tinha ganhado de brinde em cima da mesa. E escolhi uma carta. Pensei logo no três de ouros. Três porque é meu número da sorte. E entre os naipes, achava ouros mais bonito, e não tão óbvio quanto copas.

Foi quando eu dei uma pesquisada no significado das cartas no tarô. E a de nove de ouros era perfeita! Aquela que mostra caminhos abertos! Com a vantagem de também ser um número de sorte para mim: três vezes o número três.

Por fim, eu tinha o traje completo, e um nome: Menestrel Nove d"Ouros.

A carta foi para o chapéu e me preparei para o meu primeiro sarau, nervoso com a novidade. Mas deu tudo certo, e o personagem foi aplaudido por todos.

E foi graças a ele que voltei também a fazer cinema, atividade que havia abandonado fazia muito tempo.


De Volta às Câmeras

Em uma  manhã, enquanto cochilava, meu inconsciente me soprou alguns versos: "Não quero abrir os olhos, nem dar o primeiro passo. Meu corpo empalhado em aço, pesa e afunda sobre a cama." E essas se tornaram as primeiras palavras do Menestrel.

Um dia tive coragem e propus a um amigo: vamos fazer um filme com esse poema.

E de uma maneira que até a mim surpreendeu, um mês depois minha casa virou um set de filmagem e o primeiro take do curta "Manhã" era rodado.

Doze pessoas haviam embarcado comigo nesse grande e gostoso barco que é fazer cinema.

São eles o Márcio Garapa (editor e parceiro), o Márcio de Andrade, o Pedro Luna, o Rafael Gomes (fotografia), o Paulo Pessota (que virou ator no filme!), a linda atriz Geisiane Prazeres, o André Gagliardo (maquiagem) - a equipe do set de filmagem, grandes guerreiros!

Além deles, tive a ajuda do Leonardo Caxtro (que fez uma música linda em uma semana), o Luiz Emmanuel e o Gabriel de Oliveira (que captaram o som e fizeram a sonoplastia perfeita), o Jorge Hais (direção de arte, deu altos toques pra gente!), o Alessandro Oliveira e o Leonardo Fava (locutores que me ajudaram com a preparação de voz) e por fim o Marcelo Zoyd (que fez lindas fotos de bastidores).

Com eles passei por calmarias e tempestades (e muita chuva!). Foram todos fiéis e amigos até o fim e finalmente estamos chegando ao porto. Logo o filme estará pronto.

Às vezes nem sei como expressar toda a gratidão que sinto por terem realizado o meu sonho de voltar a filmar e dirigir depois de um hiato de quase dez anos.

E além de tudo ganhei uma nova maquiagem exclusive do André, um cara super talentoso, a qual pretendo adotar definitivamente daqui pra frente. :)

Depressão e Superação

Nunca me imaginei escrevendo poemas.

Quanto mais subir em um palco.

E menos ainda ser ao mesmo tempo ator e diretor de um filme.

Há dois anos atrás eu ainda lidava com os efeitos de uma forte depressão.

E esse personagem representa uma vitória não só sobre mim mesmo, mas uma vitória do esforço coletivo, da capacidade das pessoas de se agregarem e fazerem algo realmente bonito.

Então, além da equipe do filme, a quem agradeço profundamente, quero fazer um outro agradecimento aos poetas talentosíssimos que conheci em Brasília.

São eles Marina Mara, Seira Beira, Conceição Targino, Luis Filipe Vitelli, Noélia Ribeiro, Adeílton Lima, Vanderlei Costa, João Victor Pacífico, Corinto Meffe, Cristiane Sobral, Siddha Abraxas, Beth Jardim, Thiago de Barros, Áurea Valentina e muitos outros!

Vocês me abriram as portas não só dos seus saraus, mas de suas mentes e corações, e me ajudaram a me sentir vivo mais uma vez.

Agradeço também à fotógrafa Daniele Paiva, que fez as foto ma-ra-vi-lho-sas que ilustram meu blog de contos, o já falado Pirei no Conto.

E faço um agradecimento especial à minha irmã Suzana (te amo) que estava presente e de ouvidos abertos quando eu mais precisava, sempre cuidando de mim. À minha família, apoio de todas as horas. À minha mais antiga amiga Cris Cavalli. À amiga de todas as horas, farras, tristezas e alegrias, Séris Ribas. Ao amigo Habacuque Miguel. E ao mais novo amigo Leonardo Fava. 

E é com as fotos do Marcelo (aliás descobrimos que nascemos no mesmo dia!) que apresento o Menestrel pra vocês, e seu primeiro poema!

Exibindo IMG_1330.JPG

Manhã


Não quero abrir os olhos
Nem dar o primeiro passo
Meu corpo empalhado em aço
Pesa e afunda sobre a cama

E aí percebo
Como efeito placebo
A cura para o meu cansaço
Este que não abre os olhos
Forja corpos duros
E não vê

Ouve o mundo
Da menina que brinca na rua
Do carro que passa ao longe
Todos sobre o mesmo chão
Sem regras, norma ou lição

Na fluidez dos atos
Das decisões
Sem se ater
Sem correr
Nada é preciso fazer

Seres estranhos
Flores do mesmo pranto
Linhas do mesmo pano
Em um jogo irreal
Sempre atrás do vil metal

Uma só e mesma história
E a mesma viagem
Em um embarque partido
Em um porto sem visto
Sem chegada ou sentido

Ouve o mundo
Do bem-te-vi que canta na sombra
Do cão que ladra ao largo
Sem qualquer razão
Sem qualquer opinião

Na ondulação dos ventos
Das imperfeições
Sem saber
Sem querer
Nada é preciso fazer

Seres humanos
Variações do mesmo canto
Pontos sobre o mesmo plano
As mesmas condições iniciais 
Do fruto imaturo
Sob efeito
De variações infinitesimais

Uma só e mesma pessoa
E uma miragem
Não existo e existo
De desistir desisto
Do meu milagre de Sísifo
Me levanto
E a este novo dia

Sorrio

Exibindo IMG_1330.JPG

Um grande abraço a todos, com cheiro de flores do Cerrado! :D
E até a próxima! ;)